
Um capataz e uma aguadeira
Uma coca e uma lanheira
E uma criança ao fogão
Barris e uma coçaria
Ali é que a gente comia
O arroz cru com feijão
Com as calças a cavalo de estado
Andava tudo tapado
Para os bichos não picarem
Trazia-se um sorréco ou uma faca
De vez enquando muito à sucapa
Ouvia-se as milhãs a estalarem
O sorreco era proibido
Tinha que andar escondido
Para o capataz não ralhar
Ele é que não queria ver
Que a erva estava a crescer
E não se podia arrancar
Para as saias não arrojarem no chão
As moças faziam o balão
Se não andavam molhadas
Os aventais eram dobrados
Os chapéus eram enfeitados
Com rosinhas encarnadas
Tapavam a cara com burnel
Para proteger a pele
Punham polainas e mangos
Os mantulhos eram enterrados
E às vezes eram jogados
Com o nome de serongos
Uma coca e uma lanheira
E uma criança ao fogão
Barris e uma coçaria
Ali é que a gente comia
O arroz cru com feijão
Com as calças a cavalo de estado
Andava tudo tapado
Para os bichos não picarem
Trazia-se um sorréco ou uma faca
De vez enquando muito à sucapa
Ouvia-se as milhãs a estalarem
O sorreco era proibido
Tinha que andar escondido
Para o capataz não ralhar
Ele é que não queria ver
Que a erva estava a crescer
E não se podia arrancar
Para as saias não arrojarem no chão
As moças faziam o balão
Se não andavam molhadas
Os aventais eram dobrados
Os chapéus eram enfeitados
Com rosinhas encarnadas
Tapavam a cara com burnel
Para proteger a pele
Punham polainas e mangos
Os mantulhos eram enterrados
E às vezes eram jogados
Com o nome de serongos
10 comentários:
Fiquei emocionado ao ler o primeiro verso do primeiro poema, porque eu também comi arroz cru com feijão.
bonitas poesias aqui na vida do Alentejo, sim porque o Alentejo em si já é uma poesia.
voltarei mais vezes
para ver boa poesia
abraço
Gostei muito da tua poesia. Simples e maravilhosa. Bjo.
Olá, gostei muito dos poemas e além disso são a pura realidade. A minha avó paterna dizia muitas vezes bastante revoltada, que não havia pior trabalho que era o do campo. Também dizia que:- A enxada é uma ferramenta que anda á frente e morde atrás. Beijócas
Não conhecia este blog entrei através de Fernando Marques e admito que gostei muito do que li. Noutros tempos a vida era mais dura, e o arroz cru com feijão parece que era a maneira normal de o comer e disso me lembro bem. Os tempos são outros, mas agora a vida para alguns parece voltar ao antigamente. Bjo
Queria dizer que não consigo comentar o blog do Marques
Absolutamente lindo.
Poema comovente.
Retrato da vida valorosa, digna e astusiosa do camponês.
Abraços.
Seguindo-te.
Belo poema...fez-me voltar às raízes.
Adorei
Um beijo
Vou voltar
Sonhadora
Que Alentejo este!...
Que país, este!... Ontem, como hoje!
L.B.
COMO ALENTEJANA QUE SOU....DE CERTO VOU SEGUIR S/BLG
GOSTEI
BEIJO
TENHO OUTROS AMIGOS DO ALENTEJO OS VERSO SÃO REALISTA MAIS NÃO PERDEM A SUA BELEZA E A PAISAGEM É LINDA FOI UM PRAZER TE CONHECER DA AMIGA CELINA
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